Entrevista | Dissecando Cesar Bravo, o autor de Ultra Carnem

CESAR BRAVO

Darkside Books é uma editora que vem crescendo e dando mais espaços para as obras brasileiras de terror. Ultra Carnem: um dos mais novos sucessos da editora que vem conquistando os leitores por cada mão que passa. Mas você conhece quem escreveu esse horripilante e sangrento livro?

Pensando nisso, eu entrei em contato com o Cesar Bravo (autor de Ultra Carnem) e pedi para ele responder 10 perguntas a respeito da sua vida e da sua obra. Ele respondeu tudo de bom grado e eu estou repassando para vocês. Confira abaixo o Taberna dos Livros dissecando Cesar Bravo, o autor de Ultra Carnem.

Taberna dos Livros: Primeiramente, eu gostaria de agradecer a sua presença aqui no blog e também queria que você falasse mais sobre a sua carreira como escritor.

Cesar Bravo: Olá! Eu que agradeço pelo convite, é sempre um prazer dividir algumas palavras com vocês. Aproveito para agradecer a resenha feita pelo Blog, eu a devorei sem moderação!
Sobre a minha carreira, comecei a publicar meus textos em 2011. Eu já escrevia antes disso, acho que escrevo desde sempre, mas foi só nessa época que parti para o “Tudo ou nada”. A escrita exige esse tipo de decisão, não é algo que se possa fazer — com sucesso — sem estar 100% envolvido. Meus primeiros textos foram crônicas e pequenos contos, e eu os publicava onde encontrava espaço — principalmente na internet e em diversas antologias, publicadas pela Multifoco Editora. Em 2013 lancei meu primeiro livro em e-book, ainda de forma independente. Na plataforma KDP da Amazon, alcancei leitores fieis e bons amigos, e isso me motivou a escrever mais livros. Nos anos seguintes lancei dois romances e uma nova coletânea de contos chamada Além da Carne, que seria a matéria-prima para a composição de Ultra Carnem.

TL: Como é ser um escritor de terror em um país que não dá tão valor ao gênero quanto deveria?

CB: Desafiador. Mas a verdade é que a literatura como um todo passa por esse dilema. Não somos um país de leitores, estamos apenas engatinhando. Entretanto, sempre ouvi que dificuldade e oportunidade caminham de mãos dadas.
Quando você encara um mercado em formação, tem a grande chance de ajudar a compô-lo. É o que eu tenho me dedicado a fazer desde que comecei a publicar meus livros. Quando você “mete a cara” nesse mercado e decide ignorar as opiniões mais pessimistas, algo muda radicalmente dentro de você. Seus dias passam a ter mais brilho; suas noites, menos pesadelos. Algo que me anima bastante é pensar sobre o quanto evoluímos nos últimos dez anos — creio que a tendência seja melhorar ainda mais. E especificamente sobre o horror, escrevo porque é minha paixão. Eu não me importo muito com o nível de dificuldade desde que o prêmio valha o esforço.

Ultra Carnem - César Bravo, terror nacional na DarkSide Books

TL: Algum escritor do gênero terror/suspense te influenciou nas suas histórias? Se sim, como?

Muitos escritores me influenciaram; na verdade, todos eles. Admiro muito as ideias cósmicas de H.P. Lovecraft, bem como o pessimismo trágico de Edgar Allan Poe. Mas não posso dizer que nossas escritas são parecidas. Sobre esse ponto, fico com Clive Barker, Stephen King, Dean Koontz e Peter Straub. Esses autores têm uma imaginação extrema, uma narrativa fluida e uma espécie de enredo viciante que sempre procuro alcançar em meus textos. Nas histórias em si, procuro escrever algo que não tenha uma relação direta com o que leio, mas às vezes você se pega pensando que aquela ideia não é unicamente sua. O próprio Stephen King, em O Cemitério, assumidamente bebeu da fonte de A Pata do Macaco, escrita por William Wymark Jacobs. O grande truque de um bom escritor é impor suas próprias vivências nos textos, manipulando o enredo até que ele se torne seu.

TL: Você acha que o terror no Brasil ganhou mais reconhecimento do público com o passar do tempo?

CB: Estamos evoluindo. Quando comecei a publicar, em 2011, o mercado de horror tinha basicamente dois ou três nomes (não vou citá-los, ok? Mas vocês sabem quem são). Eu buscava sangue novo o tempo todo, e quando não encontrava me perguntava: “O que, diabos, está acontecendo?” Hoje, esbarro em novos autores o tempo todo. A própria Amazon e o Wattpad trazem dezenas deles em uma pesquisa rápida. Sobre o terror em outras mídias, o Brasileiro sempre gostou do tema. Os filmes fazem tanto sucesso por aqui quanto fazem no exterior; o que falta mesmo é melhorar nosso mercado interno e nossa produção. E mesmo sob esse aspecto nós estamos nos tornando mais expressivos. Até bem pouco tempo, o único cineasta de horror reconhecido era Jose Mojica Marins, hoje temos Rodrigo Aragão, Marco Dutra, Tomas Portella e muita gente que faz do medo uma arte — muitas vezes contando com quase nada de investimento externo.

TL: Alguma coisa ou alguém te motivou para se tornar escritor?

CB: Não tenho escritores em minha família, não que eu saiba. Mas tenho uma veia criativa muito forte, uma voz que se recusa a ficar quieta. Acredito que minha principal motivação tenha sido essa. Também havia a necessidade de ser livre, de fazer o que realmente era importante para mim. Gosto de um certo grau de isolamento, de criar minhas próprias regras e rotinas; a escrita foi o único caminho a me satisfazer plenamente.

TL: Você fez um pacto com o Diabo ou você construiu tudo isso de pouquinho em pouquinho? Haha

CB: Não estou autorizado a dizer a verdade (estou brincando!!!).
Foi aos poucos, tijolo por tijolo, letra por letra. Nas poucas vezes que o Diabo me ajudou foi através de seu personagem, dentro dos textos. Bem, é o que eu acho que aconteceu, mas não tenho certeza de onde vem toda a inspiração (risos).

TL: É difícil ser escritor de terror no Brasil? Você realiza mais algum trabalho?

CB: Difícil é ser brasileiro. O volume de trabalho é grande, as folgas escassas; muito do que recebemos escorre pelo ralo, sob a forma de impostos. Minha primeira formação profissional foi Farmácia-Bioquímica. Aprendi muito com ela, principalmente sobre como lidar com as pessoas quando elas se encontram fragilizadas e assustadas.
Todas as carreiras dividem sucessos e fracassos, o que muda no Brasil, é que leva muito mais tempo para se ganhar algum reconhecimento. Eu ainda me mantenho trabalhando como Farmacêutico, e continuo procurando aquele lugarzinho ao sol entre os escritores bem sucedidos.

TL: Qual é a história produzida por você que você considera o “xódó” da família?

Ultra Carnem - César Bravo, terror nacional na DarkSide Books

CB: Tenho um carinho extremo por Ultra Carnem, porque foi esse livro que me colocou efetivamente entre os escritores de horror do Brasil. Também gosto de muitos outros textos, um deles é o Conversas de Balcão, ainda inédito.

TL: Como foi saber que a Darkside ia publicar sua obra?

Euforia, esperança, realização pessoal, foi um pouco de tudo o que eu buscava desde que escrevi meu primeiro livro. Quando falei com os editores, mal podia acreditar no que estava acontecendo. Tivemos nossa primeira conversa por telefone, e foi uma noite onde dormir era a última coisa que eu queria fazer. Outra emoção inclassificável que nasceu dessa comunhão com a Darkside foi encontrar meus livros nas mãos dos leitores. Eles me enviam fotos, opiniões, tenho recebido muitas surpresas boas — e espero receber muitas outras.

TL: As perguntas de um milhão: qual será o seu próximo projeto? A Darkside vai publicá-lo?

CB: Essa eu não posso responder, não ainda. Estou escrevendo algo novo, como sempre, mas a Darkside precisa se apaixonar por um texto antes de publicá-lo, um processo que às vezes leva algum tempo. Quando o projeto certo despertar o interesse da Caveira teremos um novo livro, essa é a única garantia que tenho no momento. Mas minhas apostas são altas — eu não sei jogar se outro jeito.

A resenha de Ultra Carnem já foi publicada aqui no blogPara adquirir o livro e saber mais sobre o mesmo, confira tudo isso no blog da editora Darkside.

 

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